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sexta-feira, novembro 19, 2010

professor hacker?

Hoje, lendo alguns blogs de alunas, fui provocada em particular pelos escritos de Ilnara, quando fala sobre ética hacker.
Hacker, para muitos, é um sujeito nerd que se isola do mundo em frente de um computador, estudando formas de invadir sistemas, roubar senhas, fazer ações ilícitas na internet...
Mas, na verdade, o hacker é aquele que se envolve apaixonadamente com algum tema, se interessa, busca conhecer. Para isso, ter acesso às informações e aos códigos passa a ser um pré-requisito. Construir novos conhecimentos ou produtos relacionados ao tema passa a ser uma consequência deste envolvimento apaixonado.
Isso vale não apenas para softwares... (embora neste caso tenhamos bons exemplos!)
Pensando assim, será que podemos considerar o professor como um hacker?

sexta-feira, outubro 29, 2010

Um jeito hacker de ser

Ética Hacker, depois de ser tema de evento, continua reverberando nas mais diversas mídias.
No último 25/10, no Jornal ATarde, foi publicada a matéria de Nelson Pretto, que fala um pouco deste "um jeito hacker de ser".
NP, como não poderia deixar de ser, enfatiza que, ao contrário de um nerd que "invade os computadores para roubar senhas, dinheiro ou realizar operações fraudulentas", os hackers contribuem para uma cultura da "socialização dos bens culturais e científicos a partir do livre acesso ao conhecimento". Ressalta que, apesar dos esforços notados no Brasil para a disseminação de uma internet de qualidade e acessível para todos e de programas de incentivo ao acesso aos computadores, deve-se ir além, "porque não podemos pensar na utilização dessas redes simplesmente com o objetivo de transformar cada cidadão em apenas mais um mero consumidor, seja de produtos ou de informações".
Para além do mero consumo irrefletido, demonstra o desejo de formação de "uma nova cultura que se estabelece a partir da forma de trabalhar dessa turma [os hackers], tendo a paixão, o trabalho solidário e colaborativo como elementos socialmente necessários para a construção de um mundo sustentável".
Ao exemplo de grupos de hackers que trabalham coletivamente no desenvolvimento de bens comuns, como é o caso do movimento software livre, pode-se reafirmar a ideia do "rossio não rival"*, pois, ao contrário de bens materiais que se exaurem ao consumo, o conhecimento é tanto mais estimulado quanto mais divulgado, trocado, reapropriado, reconstruído, significado e sentido, em vias de mão dupla na rede.**.
Assim, ética hacker não é papo daqules péssimos informatas que roubam senhas, mas é uma postura frente à sociedade e seus processos, "constitui-se uma atitude política de inserção social nessa rede".

Você pode ler o artigo completo aqui ou baixar o pdf


*Ver texto com mesmo nome no livro Além das redes

** quanto a isto não posso deixar de fazer um link com um livro que li a pouco tempo, O culto do amador, de Andrew Keen, que faz ferrenhas críticas à inserção dos sujeitos, com a web2.0, no contexto de produção de conteúdos (blogs, vídeos, podcasts...). Segundo ele, isto só fez com que se perdesse tempo nas buscas na web, para distinguir o que era "verdade" e produto informacional e cultural "válido", do que era futilidade, frívolo e "sem autoria", pois, para ele, quem garante que quem está escrevendo é o verdadeiro autor ou um macaco, ou ainda um bando de pinguins? (!!!) Enfim, este autor, que foi uma febre de vendas desde o último ano, não consegue enxergar toda a potencialidade deste jeito de ser que NP desenvolve no texto que trago acima, deste conjunto de valores defendidos pelo movimento ativista da ética hacker... mas para comentar melhor isso, devo publicar novos posts, pois são muitas as alfinetadas que o autor traz para comentar em aglumas poucas linhas...

quarta-feira, outubro 06, 2010

a colaboração faz coisas surpreendentes!

De 18 a 19 de outubro, por ocasião da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, através do Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC), promoverá o evento Ética Hacker, um evento multimídia integrado que mobilizará as comunidades em debates sobre as questões da Ética Hacker, Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia na sociedade contemporânea.
Participarão do evento convidados que vem desenvolvendo trabalhos interessantes sobre a temática, como Sérgio Amadeu da Silveira, Sérgio Amaral, Alexandre Oliva, Gilberto Monte, Andre Stangl, Cláudio Manoel Duarte, Lúciano Matos, Mário Sartorello, além de Nelson De Luca Pretto, que coordena o evento.
Já estão sendo produzidos e veiculados programas de rádio e tv, que podem ser vistos na página do evento(www.eticahacker.faced.ufba.br), além da TVE, da Rádio Educadora e da RádioFacedWeb. Presencialmente, o evento acontecerá nos dias 18 e 19 de outubro, na Faculdade de Educação da UFBA, mas também será transmitido, reverberando para além do espaço e do tempo do aqui e agora.

Vale a pena conferir!


sexta-feira, setembro 17, 2010

vamos mudar o mundo!

um pouco sobre coisas pitorescas que encontramos por aí

essa imagem é uma foto de um adesivo grudado na porta de um grupo de pesquisa que eu estava outro dia. Na foto não dá para ver direito, mas embaixo da frase "adoraria mudar o mundo, mas não me deram o código fonte", alguém escreveu o seguinte: "vamos hackear!"

hackerar? ou crackear?

pensemos juntos: o sujeito invadiria os sistemas de código fechado (no caso, o mundo0 para roubar as ideias? então seria um cracker...
mas se o sujeito está incentivando que que os códigos fiquem abertos e que todos se apropriem disso, no sentido de criar esta cultura de disponibilizar e entender o que existe, então está certo mesmo: vamos hackear!

quarta-feira, agosto 18, 2010

compartilhamento de arquivos é mais do que comer de graça

O que você acha daquela chamada no início de alguns filmes: "quem apoia a piratria financia a violência"?
Me parece que, colocada desta forma, a afirmação tira o foco da questão principal.
Será que não precisamos repensar a produção e o compartilhamento de informação e de "produtos" culturais?

E o que isto tem a ver com a educação? Tudo! Desejo muito que todos tenham acesso às formas de produção, se apropriem das informações e lhes seja possibilitado que se expressem de forma crítica a todos, passando pelo livre diálogo e pelo compartilhamento de arquivos.

Sim, existem muitas questões trabalhistas e de diversas outras esferas envolvidas, mas que também estão envolvidas em outras situações que passam muito longe desta seara. A questão não é esta.
Também nunca vou afirmar que uma pessoa ou indústria não deve ser remunerada pelo que faz. Esta também não é a questão.
Igualmente, compartilho a indignação com o roubo da autoria. Mas também não é esta a questão, afinal, o copyright, na maioria das vezes, protege o direito de vários outros antes do próprio autor.

A questão é que precisamos discutir melhor as formas de produção, a propriedade intelectual, o compartilhamento de arquivos e o acesso a estes. Isto é questão de cultura [de política pública, de educação, de direito, de ações de mercado...]! Desejo que todos tenham acesso à grande mídia, mas não só a ela, nem que tomem ela como centro de informação inquestionável. O centro não tem como controlar a força dos compartilhadores! Compartilhamento de arquivos é mais do que um filminho legal de graça: este deve ser um direito de todos, um passo para a apropriação crítica e para a construção de uma sociedade mais justa, pautada nos interesses de todos, não apenas dos donos de grandes corporações que querem que todos acreditem que suas ações inescrupulosas são como "forças da natureza"(talvez como menção às leis de Darwin...)

O Baixa Cultura tem instigado questões como estas. Ali, vale a pena procurar o documentário "Roube este filme" (clicando na imagem abaixo tb vai p lá)