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sábado, julho 18, 2009

Darwin na Bahia



Quem diria, ontem fui ouvir o tataraneto de um dos meus maiores ídolos na graduação, Charles Darwin. Randal Keynes está em uma longa jornada, revisitando alguns dos lugares por onde seu tataravô esteve, o que o traz para Salvador, integrando as atividades do projeto Darwin na Bahia.


(imagem: http://www.cienciaartemagia.ufba.br/darwinnabahia)


Quando Darwin chegou em Salvador e ficou encantado com a exuberante floresta, relatando que, a noite, a bordo do Beagle ancorado na baía(a uns 100 ou 200 metros da praia), ouvia o canto dos pássaros e dos grilos. Ele escreveu o seguinte:
“Ninguém seria capaz de imaginar nada tão belo quanto a antiga cidade da Bahia; ela fica docemente aconchegada num bosque exuberante de lindas árvores e, situando-se sobre uma colina íngreme, descortina as águas calmas da grande baía de Todos-os-Santos. As casas são brancas e altivas... Os conventos, os pórticos e os prédios públicos quebram a uniformidade das casas; a baía é repleta de grandes navios. Em suma, e o que mais se poderá dizer? Ela é uma das paisagens mais lindas dos Brasis... Creio que os afetos, assim como as coisas boas, florescem e aumentam nestas regiões tropicais... A convicção de estar andando pelo novo mundo ainda é espantosa a meus próprios olhos...”
O que o entristeceu foi a escravidão: escreveu em seu diário que não existiam raças superiores e que aquilo era abominável (quem diria, ele, que viu pela primeira vez um negro aos tempos em que fazia sua faculdade - ou tentava, pois as cirurgias lhe davam asco...)

Darwin aportou aqui no início de sua viagem, antes de partir para sua viagem de anos em lugares fantásticos, onde observou a vida, as relações entre os seres, os ambientes...
Ele voltou para cá novamente no final de sua viagem, para marcar a distância percorrida. Keynes leu o relato que ele havia escrito em seu diário: era uma mistura de nostalgia, felicidade e tristeza, um sentimento de quem havia descoberto muito e que provavelmente nunca voltaria a terras que haviam lhe encantado tanto.

Depois de voltar para a Inglaterra, com a ajuda de sua esposa e, depois, de sua filha, catalogou, organizou, analisou o material coletado durante toda a viagem. Uns dizem que não publicou sua teoria da evolução imediatamente por respeito a sua esposa, religiosa fervorosa. Mas, para seu tataraneto, ele esperava condições mais adequadas para isso. Muitos anos mais tarde, recebendo uma carta de Lamark, que compartilhava ideias semelhantes às suas, ele se viu obrigado a publicar seu livro "A Origem das Espécies". Keynes observou que, naquele instante, outras descobertas, aceitas pela sociedade, ajudavam a fundamentar sua tese, que, a esta altura do campeonato, era embasada em análises sólidas dos materiais coletados durante a viagem: eram duas condições que fariam sua tese ser melhor aceita pela sociedade da época.
Ah, um ponto ressaltado por Keynes ontem, foi que Lamark foi muito responsável pela publicação da teoria darvinista, por mostrar a Darwin que já era hora de publicar seu livro e, também, porque provavelmente Darwin encontrou ainda mais subsídios para sua tese no estudo desenvolvido por Lamark.
(quem diria, Darwin fez ctrl+c! claro, seus dados não eram exatamente originais ou inéditos, a grande sacada foi a análise que ele fez destes dados!)

Uma coisa que me fascina muito foi o método usado por Darwin: seu ponto fixo era o Beagle, onde ele tinha sua cabine e anotava tudo o que via no seu diário. Mas cada vez que saía, levava um caderninho para anotar cada detalhe, pois, dizia ele, que a memória era traiçoeira. Ou seja, o caderninho era o relato bruto, onde anotava as coisas assim como as via, nem sempre nas condições mais propicias para anotar ou desenhar qqer coisa. A noite, devolta ao barco, passava a limpo os relatos, pensava sobre o que via, analisava, comparava, fazia desenhos mais atidos às amostras que carregava para dentro do barco... Imagine o volume de informações produzidas até o final da viagem!
Pois ele não se perdeu em meio a tanta informação. Justamente pela sistematicidade de seus relatos, que não se bastavam em simplesmente escrever o que via: ele usava todas as linguagens que estavam a seu alcance para fazer seus registros, e os analisava ao final de cada dia.

Isto sim é uma aula de metodologia científica!

quinta-feira, julho 16, 2009

“ Construindo a ciência: elaboração crítica de projetos de pesquisa”


Muito interessante a proposta do livro “ Construindo a ciência: elaboração crítica de projetos de pesquisa”, organizado pelos professores Joseli Maria Silva (geógrafa), Edson Armando Silva (historiador), Ivan Jairo Junckes(cientista social). A obra, licenciada em Creative Commons, apresenta de forma muito leve os principais elementos que constituem a construção de projetos de investigação para construção científica. Os autores partem de dúvidas e problemas frequentes na construção de projetos, entre alunos que cursam as disciplinas de Metodologia Científica. Para tanto, abordam elementos epistemológicos da construção científica e etapas da elaboração de um projeto de pesquisa.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Etnografia digital - Parte II

Só tenho a agradecer a Sú, que deu a dica do livro de Christine Hine, Etnografia Virtual*

achei um pedacinho do começo do livro (cap1) aqui

O blog Etnografia no virtual apresenta uma pequena análise de uma palestra (III CONGRESO ONLINE DEL OBSERVATORIO PARA LA CIBERSOCIEDAD , 2006/2007 ) [tem outras palestras muito interessantes tb] proferida por Hine autora, de onde pode se destacar a questão que já me inquietava desde a elaboração do projeto de doutorado:
Há algum elemento distintivo na etnografia virtual? Ou a etnografa virtual é unicamente a mesma etnografia clássica com um novo objeto de estudo: Internet.

o evento foi organizado pelo grupo de trabalho do OCS ‘Etnografias do digital’/EtnoVirtual, onde encontrei uma gama enooooorme de bons textos sobre o assunto

No blog Netnografando também encontrei referências interessantíssimas, como:
WILLIAMS, Matthew. Avatar watching: participant observation in graphical online environments. Qualitative Research, v.7, n. 1, p. 5-24, 2007.
e
“A netnografia é a abertura das portas do tradicional método etnográfico para o estudo de comunidades virtuais e da cibercultura. Originado no campo da Antropologia, o método etnográfico “consiste na inserção do pesquisador no ambiente, no dia-a-dia do grupo investigado” (VERGARA, 2005, p. 73, 195). [ VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2005. ]

de quebra, encontrei um estudo etnográfico no SL, apresentado no Conbrace 2007 (Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte):
Second Life: o lazer em um ambiente de sociabilidade na internet, de Rogério Santos Pereira





* HINE, Christine. Virtual Ethnography Londres: Sage Publications, 2000.
Sinope:

La autora propone una nueva etnografía de Internet basada en el estudio de hechos mediáticos concretos, donde la Red juega un papel, por un lado, de instancia de conformación cultural, y por otro, de artefacto cultural construido sobre la comprensión y expectativas de los internautas. Asimismo, analiza las nociones, exageraciones, mitos, significados e implicaciones de la “vida en la Red” demostrando que ésta no trasciende las nociones tradicionales de espacio y tiempo, sino que, mediante la barrera del offline / online, genera múltiples órdenes en ambos campos. Finalmente, refuta el argumento postmodernista de que Internet es un lugar donde, inherentemente, no tienen cabida ni la identidad ni la autenticidad.
Reseha um pouco mais detalhada aqui