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quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Gostosa e promíscua

Olha que interessante:
Karl MacDorman, da Universidade de Indiana, fez o seguinte experimento com seus alunos de medicina: eles deveriam atender uma paciente virtual, que, durante a consulta lhes pedia que não contassem ao seu marido que ela havia contraído herpes genital. Com isso MacDorman pretendia que os estudantes considerassem questões como confidencialidade médico-paciente e não obter uma resposta certa ou errada.
A paciente foi representada de quatro formas:
- a imagem de uma atriz sobre um fundo "virtual", com movimentos suaves
- a imagem de uma atriz sobre um fundo "virtual", com movimentos bruscos
- um avatar digital desenhado com o fundo "virtual", com movimentos suaves
- um avatar digital desenhado com o fundo "virtual", com movimentos bruscos

As estudantes mulheres foram mais simpáticas à paciente, representada de qualquer uma das formas. Já os estudantes homens, em sua maioria, atenderam com muito mais empatia as duas primeiras formas. A explicação para o fenômeno, pelo próprio autor do estudo, me parece meio machista, mas pode ser plausível: "as diferentes respostas dos voluntários poderia sugerir que os homens mostraram mais empatia pelas personagens que eles vêem como potenciais parceiras". É provável que eles tenham desenvolvido um reconhecimento maior com a paciente com formas mais familiares. Mas e porque isto não aconteceu também com as estudantes mulheres?
Porém, Jesse Fox, uma pesquisadora de interações humano-computador, pontua que tal reação pode também ter sido desencadeada pelas formas mais sexualizadas da avatar, como os seios grandes e a barriga de fora. Os homens a teriam visto como gostosa e [por isso] promíscua e desonesta?

O artigo completo pode ser acessado em:
Gender Differences in the Impact of Presentational Factors in Human Character
Animation on Decisions in Ethical Dilemmas

E um comentário sobre ele pode ser visto em
A aparência importa, mesmo no mundo virtual

segunda-feira, dezembro 14, 2009

terça-feira, março 24, 2009

As características visuais do avatar e a identificação encarnada em games massivos

Vale a pena ver:
As características visuais do avatar e a identificação encarnada em games massivos
Escrito por Ana Paula Narciso Severo


Ana Paula aborda, neste artigo, alguns elementos da construção do avatar como reflexo de elementos simbólicos e da identidade do sujeito que o constrói.
Parei para pensar (e tenho que pensar mais) sobre a relação que autora faz entre os conceitos real/virtual/online. A autora coloca que "Nele iremos compartilhar um mundo inteiramente virtual, mas existente, com outros corpos também já encarnados por outros jogadores".
Primeiro achei que tínhamos uma pequena confusão, mas depois comecei a ver que faz sentido

Destaco esta passagem sobre a construção dos avatares:

Quando vamos criar o nosso avatar, todos os objetos, habilidades e aparência devem estar ligados simbolicamente de modo a reforçar, tanto a identidade a que queremos construir, como a idéia da associação do personagem a o que ele faz, como se comporta ou que habilidades possui. Tudo isso deve estar intrinsecamente relacionado fazendo com que possamos incorporar a identidade do avatar nos referindo a ele como a nós mesmos. Além disso, ele deve estar possivelmente relacionado à nossa imagem mental inicial, a qual já nos idenficávamos antes. Essas características devem, portanto, nos surpreender e nos acrescentar estímulos além daqueles proporcionados pelos demais elementos do game, dando-nos possibilidades de superar nossas expectativas e imergir naquele mundo totalmente novo e pronto para receber nossos corpos idealizados.



Logo depois de ler isso, passando pelo Twitter de NP, encontro esta:
braço e mão doendo... doença moderna associada a esses trecos que usamos sem parar...


corpo obsoleto?

terça-feira, março 10, 2009

corpos mutantes - quem somos?

esta foi uma provocação que deixei lá no blog de Sule, quando ela aborda Corpo, arte e tecnologias, e trago para cá para alongar a conversa.

Ela, citando o texto de Edvaldo Couto e Silvana Vilodre Goellner, Bioarte - Estéticas de corpos mutantes, comenta as sensações de angústia e até uma certa repulsa que teve ao ver as "obras de arte" de Orlan. Eu tb tenho dúvidas sobre a beleza da arte de Orlan... mas uma coisa eu tenho certeza: ela consegue mecher com qualquer um!

e eu fico me perguntando: se nosso corpo faz parte de nossa identidade, como esta muda de "cutucarmos" ele? Ou será que nosso corpo é apenas uma barreira física que carregamos junto de tudo o resto que somos? Se não tivéssemos esta "barreira física" conseguiríamos expressarmos melhor quem nós somos? e será que somos uma coisa só???

sábado, janeiro 17, 2009

Pesquisa analisa residentes

de MainlandBrasil/News (07/01/09)

Pesquisa analisa residentes


A equipe do professor Dmitri Williams, da universidade do sul da Califórnia, pesquisou o comportamento dos residentes de metaversos. O foco do levantamento foi a postura das pessoas de acordo com o sexo. Foram feitas análises de perfis físicos e de conduta no metaverso. Entre os resultados, estão as seguintes conclusões:


O residente mediano tem mais de seis personagens alternativos; Homens são mais motivados pelos ganhos que pode ter;


Mulheres tendem a buscar jogos online por razoes de convívio social, e já ocupam cerca de 40% do mercado;


Mulheres ficam mais tempo online que homens e também são fisicamente mais saudáveis.


Acredita-se que desenvolvedores de jogos utilizarão a pesquisa para direcionar suas próximas produções.





Equipe Mainland Brasil


Mais informações podem ser obtidas na página do professor Dimitri Williams.

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Etnografia digital - Parte II

Só tenho a agradecer a Sú, que deu a dica do livro de Christine Hine, Etnografia Virtual*

achei um pedacinho do começo do livro (cap1) aqui

O blog Etnografia no virtual apresenta uma pequena análise de uma palestra (III CONGRESO ONLINE DEL OBSERVATORIO PARA LA CIBERSOCIEDAD , 2006/2007 ) [tem outras palestras muito interessantes tb] proferida por Hine autora, de onde pode se destacar a questão que já me inquietava desde a elaboração do projeto de doutorado:
Há algum elemento distintivo na etnografia virtual? Ou a etnografa virtual é unicamente a mesma etnografia clássica com um novo objeto de estudo: Internet.

o evento foi organizado pelo grupo de trabalho do OCS ‘Etnografias do digital’/EtnoVirtual, onde encontrei uma gama enooooorme de bons textos sobre o assunto

No blog Netnografando também encontrei referências interessantíssimas, como:
WILLIAMS, Matthew. Avatar watching: participant observation in graphical online environments. Qualitative Research, v.7, n. 1, p. 5-24, 2007.
e
“A netnografia é a abertura das portas do tradicional método etnográfico para o estudo de comunidades virtuais e da cibercultura. Originado no campo da Antropologia, o método etnográfico “consiste na inserção do pesquisador no ambiente, no dia-a-dia do grupo investigado” (VERGARA, 2005, p. 73, 195). [ VERGARA, Sylvia Constant. Métodos de pesquisa em Administração. São Paulo: Atlas, 2005. ]

de quebra, encontrei um estudo etnográfico no SL, apresentado no Conbrace 2007 (Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte):
Second Life: o lazer em um ambiente de sociabilidade na internet, de Rogério Santos Pereira





* HINE, Christine. Virtual Ethnography Londres: Sage Publications, 2000.
Sinope:

La autora propone una nueva etnografía de Internet basada en el estudio de hechos mediáticos concretos, donde la Red juega un papel, por un lado, de instancia de conformación cultural, y por otro, de artefacto cultural construido sobre la comprensión y expectativas de los internautas. Asimismo, analiza las nociones, exageraciones, mitos, significados e implicaciones de la “vida en la Red” demostrando que ésta no trasciende las nociones tradicionales de espacio y tiempo, sino que, mediante la barrera del offline / online, genera múltiples órdenes en ambos campos. Finalmente, refuta el argumento postmodernista de que Internet es un lugar donde, inherentemente, no tienen cabida ni la identidad ni la autenticidad.
Reseha um pouco mais detalhada aqui