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sexta-feira, julho 24, 2009

E na educação, o que existe além do espelho?


O ensino é triste e a aprendizagem é lúdica. Em consequência disso, o professor que quer ensinar produz só infelicidade e tristeza. No entanto, o professor que quer aprender produz alegria, inclusive a alegria interior nele mesmo. Luiz Felippe Perret Serpa. (SOARES, 2007, 323)


[SOARES, 2007, 324]

SOARES, Noemi Salgado. Educação trandisciplinar e a arte de aprender: a pedagogia do autoconhecimento para desenvolvimento humano. Salvador: EDUFBA, 2007.

domingo, março 01, 2009

Formação de professores: deve ser permanente, mas o que DEVE fazer parte da formação inicial?

Hoje, lendo uma postagem (Aprender a aprender) do Robson no Caldeirão de Idéias, lembrei de um ponto de uma prova que fiz a algum tempo, que versava sobre Formação de Professores de Ciências.

Achei a charge muito pertinente com a discussão sobre a formação de professores: vivemos em uma sociedade onde O "pacote" institucionalizado pelas Universidades como a Formação Inicial dos professores, não dá conta de todas as necessidades formativas que este sujeito encontrará em sua prática pedagógica. Provavelmente NENHUM "PACOTE" dará conta disso. Então ressurge uma questão antiga: se ela (por si só) não é suficiente, por que é necessária? ou melhor, qual a função da formação inicial para os professores? ou ainda, desmembrando esta questão, o que deve ser contemplado nesta formação inicial?
Um olhar um pouco desatento diria: sem dúvida, hoje o importante é aprender a aprender, pois esta competência dará autonomia para o sujeito tomar decisões fundamentadas em sua prática.
Hoje eu já mudaria a resposta: sem dúvida, uma das coisas que o professor deve sempre ter em mente é que nenhum pacote pronto de informações lhe dará subsídios suficientes para enfrentar fundamentadamente todas as situações de sua prática, sendo necessário que o professor seja investigador, reflexivo e que saiba "aprender a aprender" (o que, por si só, não é nada fácil, veja na postagem do Caldeirão de Idéias). Mas mesmo assim, continuamos com o "pacote" da formação inicial e, pelo que eu acredito, esta deveria dar os subsídios para os primeiros passos na prática pedagógica. Mas quais subsídios são estes quando está cada vez mais incerto o terreno onde o professor dará seus passos?
Esta é uma questão que merece maior discussão (assim como muitos tem feito). E você, o que pensa sobre isso?

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Entrevista com Alex Primo: nossos alunos tem um perfil diferente de anos atrás

No Blog de Alex Primo ou no próprio Jornal Zero Hora (que publicou a entrevista ontem, 12/02/09), pode-se ler a entrevista que reproduzo logo abaixo.
Apesar de Primo não ter dito isso, o jornal chegou a conclusão que nossos alunos não tem mas capacidade de concentração para sentar e ouvir.
Me parece que o que é posto em questão, no atual contexto, é o que se espera de uma aula: uma palestra? o despejo de um volume enorme de informação? se fosse isso, aí faria sentido esperar que o aluno ficasse horas sentado e ouvindo.
Mas, como vários autores já nos fizeram entender, o processo de aprendizagem é um processo ativo, sendo que para o qual o aluno deve ser considerado como um sujeito ativo. A aprendizagem, quando significativa, não é um processo passivo.
Me admira que, em tempos onde todos fazem várias coisas ao mesmo tempo, quando os fluxos (de informação, dos negócios, ...) são cada vez em maior volume e mais rápidos, quando dependemos mais do desenvolvimento tecnológico do que dos nossos próprios genes para nossa sobrevivência, quando o livre acesso a informação alavanca a produção descentralizada de produtos informacionais, me admira que um jornal conceituado como este ainda reproduza com espanto a afirmação: "alunos não querem sentar e ouvir"!!!

Neste quadro chegamos nos conteúdos, que refletem a concepção de educação que temos, o que acreditamos como o papel do professor, o que esperamos dos alunos. Mesmo os conteúdos digitais, ditos como "inovadores" nada acrescentam se reproduzirem o mesmo ensino tradicional, apenas conteudista, com o aluno simplesmente "olhando". Que tal tentarmos "vestir o conteúdo" e tentarmos criar condições para que nossos alunos (e nós) aprendam com prazer?
[se vc quiser ver um exemplo desse "vestir o conteúdo" veja a postagem de ontem sobre Darwin]




| 12/02/2009 | 02h37min

“O aluno não quer mais se sentar e ouvir”

Entrevista: Alex Primo, doutor em Informática na Educação

Professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, Alex Primo sustenta que o mundo digital deu origem a um novo padrão de estudante, acostumado ao uso da tecnologia. Para se adequar a esse perfil, escolas e educadores devem rever suas práticas. Confira trechos da entrevista a ZH:

Zero Hora – Qual principal o impacto das novas tecnologias na vida do estudante?

Alex Primo
– O acesso às informações. Antes, a educação era baseada no livro, e os livros eram prescritos pelos professores como a informação que devia ser estudada, onde estavam as respostas. Hoje, mesmo uma criança tem possibilidade de buscar as soluções na internet.

ZH – O que isso muda?

Primo
– Constrói na criança o espírito da investigação. Não é o professor que entrega uma resposta pré-definida. Ela vai atrás para construir suas respostas.

ZH – É um novo aluno?

Primo
– Sem dúvida. Antigamente, falava-se em ensinar. Hoje, é preciso ter preocupação maior com a educação, como um processo global para a aprendizagem e para a produção ativa. O aluno não quer mais se sentar e ouvir, porque ele está acostumado a produzir por meio das novas tecnologias.

ZH – Isso exige uma adaptação na maneira de dar aula?

Primo
– Demanda-se um maior dinamismo nas aulas e a valorização da expressão multimídia: usar fotos, sons, textos em blogs para os estudante poderem valorizar aquela linguagem que eles conhecem. Se não se fizer isso, fica um hiato muito grande entre linguagem do aluno e do professor.

ZH – Os jovens de hoje têm menor capacidade de concentração?

Primo
– Uma vez escutei que havia professores que ensinavam em blocos de 15 minutos e contavam uma piada, para seguir o ritmo da televisão. Agora, percebemos uma mudança, as pessoas se afastando da TV e indo para o computador, onde a dedicação é total. Ficam horas no computador. A diferença é que hoje se navega em muitas janelas ao mesmo tempo. O jovem conversa, navega, vê vídeos, tudo ao mesmo tempo. Então, é uma concentração fragmentada.

ZH – A internet estimula a cópia de trabalhos?

Primo
– O plágio, a cola da enciclopédia sempre existiu. Eu lembro de fazer isso quando criança, vários alunos copiavam informações das enciclopédias, o professor recebia muitas cópias e nem se dava conta. Não é um problema novo, da internet. O interessante é que o aluno comece a reconhecer a importância da consulta às fontes e de valorizar a autoria, não minimizar a importância da busca de informações e citações.