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terça-feira, novembro 01, 2011

Bogs no ensino superior

Hoje tive uma grata descoberta: uma colega da Universidade Estadual de Santa Cruz (BA), professora da disciplina Biologia da Conservação, criou um blog para dar visibilidade a problemas ambientais da região. O que é muito legal é que os próprios alunos (co-autores) são os responsáveis pelas postagens, trazendo para a discussão questões que lhes são inquietantes...

Vale a pena acompanhar!

http://biologia-da-conservacao.blogspot.com/

domingo, agosto 14, 2011

novos olhares para a formação e prática docente em relação às tecnologias da informação e comunicação

Sempre que uma atividade vai sendo concluída, penso que assim seguem os ciclos da vida...

Nos últimos dias, após um ano do curso de Especialização Tecnologia e Novas Educações (Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia), cinco orientandas minhas apresentaram suas monografias. Foram momentos muito especiais para estas meninas igualmente especiais, ao mesmo tempo que um momento de grande orgulho para mim!
Cada uma em seu contexto de prática docente, investigaram aspectos das tecnologias da informação e comunicação em seu fazer docente, seja investigando como os professores se apropriam delas, como elas se fazem presente em sua formação e espaço de atuação, ou mesmo como tem explorado suas potencialidades (como no caso dos blogs). Todas partiram de situações problemáticas encontradas em sua prática cotidiana, imergindo inquietamente em busca de subsídios para melhor compreensão do tema, ao mesmo tempo que buscavam um aporte teórico sustentável, tecendo análises muito pertinentes. A pesquisa qualitativa deu aporte metodológico e epistemológico, sendo a Análise Textual Discursiva premente na maioria dos trabalhos (em outro post devo falar mais sobre isso).
Este esforço analítico da realidade também levou a um repensar da própria realidade, num movimento reconstrutivo. As ideias, prenhas de sentido, assim como o parto, por vezes geraram processos dolorosos, de questionamentos de certezas, de descontrução de verdades construídas, do olhar sensível e aberto ao novo, da busca da compreensão da realidade não tomando o espelho como única verdade.
Com isso, os trabalhos destacaram aspectos importantes da formação de professores e da prática docente em relação às tecnologias. Ao mesmo tempo que alguns aspectos dos resultados se apresentaram de maneira bastante incisiva, outros questionamentos emergiram:
- a formação inicial dos professores não dá conta da prática docente com as tecnologias.
- talvez mais importante do que pensar que é necessário inserir mais disciplinas obrigatórias com este escopo nas licenciaturas, seja trabalhar com uma concepção de que, como o conhecimento não é algo acabado, a formação dos sujeitos também não o é, preparando o docente para a pesquisa, para o novo, para a reflexão.
- é importante que os diversos setores da sociedade reconheçam os espaços por onde transitamos como espaços de formação. Assim sendo, a escola é um importante espaço de formação ao próprio professor, que deixa de ocupar o lugar de detentor absoluto do saber.
- para isso, é necessário prever (nos documentos, inclusive) espaços e estatégias de diálogo, de interlocução, de emersão de novas práticas. Neste contexto, os maiores entraves parecem não estar propriamente nas tecnologias: como é possível utilizar o momento de AC efetivamente como planejamento, diálogo e avaliação, se este tempo é totalmente tomado pelas burocracias e papeladas que o professor deve preencher? Como pensar em um olhar mais atento e direcionado às necessidades dos educandos, se o professor tem turmas imensas, em salas inadequadas? Como o professor pode desencadear um processo reflexivo se ele mal tem tempo de comer entre a correria entre uma turma e outra, entre uma escola e outra? Como pensar em novas educações se parece ser uma premissa da educação que esta pode acontecer em qualquer lugar, sem qualquer preocupação com a infraestrutura das escolas? Será o professor, sozinho, o responsável por estas transformações e superações?
- no processo de educar, faz-se urgente chamar para dentro da escola todos os agentes envolvidos no processo, principalmente pais e comunidade. Alguns assuntos precisam ser discutidos francamente entre professores e com os demais agentes, como, por exemplo, a presença das crianças na internet. Não é justo reprimir um professor que coloca seus alunos como co-autores em um blog, alegando que as crianças estão expostas na web... por outro lado, esta é uma responsabilidade gigante!
- não podemos esperar que as escolas tenham todas as condições do mundo para começarmos a pensar em práticas coerentes com o contexto contemporâneo, onde as tecnologias estão imersas. Por outro lado, devemos lutar por boas condições infraestruturais, o que envolve a atuação dos diversos sujeitos envolvidos. Isso começa com o professor que desencaixota o computador; passa pelo gestor, que deve pensar junto com os professores as formas de uso dos espaços da escola, além de abrir espaço para novas demandas; passa também pela comunidade, que também é dona disso tudo; passa muito fortemente pelo setor público, que precisa urgentemente olhar com carinho e responsabilidade para nossas escolas.

Enfim, foram cinco monografias que desvelaram aspectos intrínsecos à formação e prática docente em relação às tecnologias da informação e comunicação, ao mesmo tempo que apontam questionamentos e a necessidade de repensarmos aspectos vigentes. Enfim, são trabalhos que valem a leitura!

Aproveito para dar os parabéns à estas "meninas" guerreiras que, mesmo fazendo parte deste contexto tão problemático descrito (e talvez até por isso...), com todas as inqueitações inerentes ao ser humano, conseguiram superar as dificuldades e apresentar estes resultados muito bons. Aproveito também para agadecer às professoras das bancas (Salete Cordeiro, Joseilda 'Sule' Sampaio e Marildes Caldeira), pelas leituras atentas e pelas gentis considerações em busca da melhoria dos trabalhos.

Em breve pretendo divulgar o link onde cada um poderá acessar o arquivo das monografias, mas por enquanto seguem os títulos das mesas:
- Apropriação das tecnologias da informação e comunicação no fazer docente, por Carla Claudia de Santana Santana
- A escola como espaço de formação continuada de professores: equacionando as demandas formativas em tecnologias da informação e comunicação, por Fátima Falci Ferreira
- O educador e a formação continuada em serviço: formando-se para o uso das tecnologias da informação e comunicação, por Lusiane Carvalho da Silva
- Necessidades formativas dos professores e sua relação ao uso das TIC: um estudo de caso com professores de uma escola municipal de Salvador/BA, por Manuela Santana dos Santos
- Blogs: fomento à produção textual em salas de aula do ensino fundamental, por Patrícia Michele Muniz Vilas Boas

Espero que, mais do que o fim de mais um ciclo da vida, este momento seja o reinício de tantos outros, tão mais promissores!

sexta-feira, novembro 19, 2010

professor hacker?

Hoje, lendo alguns blogs de alunas, fui provocada em particular pelos escritos de Ilnara, quando fala sobre ética hacker.
Hacker, para muitos, é um sujeito nerd que se isola do mundo em frente de um computador, estudando formas de invadir sistemas, roubar senhas, fazer ações ilícitas na internet...
Mas, na verdade, o hacker é aquele que se envolve apaixonadamente com algum tema, se interessa, busca conhecer. Para isso, ter acesso às informações e aos códigos passa a ser um pré-requisito. Construir novos conhecimentos ou produtos relacionados ao tema passa a ser uma consequência deste envolvimento apaixonado.
Isso vale não apenas para softwares... (embora neste caso tenhamos bons exemplos!)
Pensando assim, será que podemos considerar o professor como um hacker?

quinta-feira, outubro 28, 2010

Desafios na formação dos professores

Junto de uma matéria da revista Nova Escola (Ed.231), encontramos este vídeo com uma entrevista com Bernardete Gatti. Ela aponta alguns grandes desafios para a formação de professores, muito deles já bastante debatidos pelos profissionais da área, tais como:
- o sentido sóciocultural dos conhecimentos - muitas vezes os professores não sabem qual o sentido social do que ensinam (para que o aluno deveria estudar determinado tema). Alguns professores acham até inútil o que ensinam...
- perfil professor - os licenciandos , pelo seu pouco contato com a atividade docente, não tem uma identidade docente formada ao concluir o curso
- formadores de formadores - qual é a formação e experiência da docência dos profissionais que trabalham na formação de professores? Alguns tem formação em educação, mas nunca entraram em uma sala de aula. Outros sequer tem formação em educação, o que acontece muito nas "áreas duras", onde prevalece uma concepção de que, para atuar nas disciplinas "pedagógicas", qualquer licenciado tem condições, mesmo que com doutorado em Botânica ou qualquer outra área, às vezes prevalecendo aos de menor titulação mas com formação mais próxima da educação
- áreas de conteúdo - o conhecimento não se forma na costumeira fragmentação das instituições, centradas em disciplinas. Mas, se o professor é formado, em toda sua formação, em disciplinas fragmentadas, como promover essas integrações? Por outro lado, os formadores das universidades pregam a integração, enquanto não conseguem fazer a universidade conversar com as escolas...
- carreira atrativa - nem precisa falar... salário, progressão, condições de trabalho... além disso, temos uma desvalorização social da categoria
- módulos - trabalhar com um grupo fixo de professores é muito mais fácil para planejar junto do que com professores que são alocados em escolas ao gosto dos profissionais da secretaria de educação.
- currículo - o que e como ensinar? como e o que deve acontecer na escola? será que isso é realmente refletido nas escolas?
- insumos para o trabalho - "o material para trabalho, muitas vezes, é jogado para a escola". O desenvolvimento dos materiais didáticos é desenvolvido longe do contexto da escola. O professor não tem formação. Há uma sobrecarga no professor, responsável pela solução dos problemas da sociedade! (...) Mas o que tem sido feito para modificar isso?

Algo semelhante também é descorrido, com uma profundidade muito maior, na obra Professores do brasil: impasses e desafios

Vale a pena ver os vídeos:



domingo, março 01, 2009

Formação de professores: deve ser permanente, mas o que DEVE fazer parte da formação inicial?

Hoje, lendo uma postagem (Aprender a aprender) do Robson no Caldeirão de Idéias, lembrei de um ponto de uma prova que fiz a algum tempo, que versava sobre Formação de Professores de Ciências.

Achei a charge muito pertinente com a discussão sobre a formação de professores: vivemos em uma sociedade onde O "pacote" institucionalizado pelas Universidades como a Formação Inicial dos professores, não dá conta de todas as necessidades formativas que este sujeito encontrará em sua prática pedagógica. Provavelmente NENHUM "PACOTE" dará conta disso. Então ressurge uma questão antiga: se ela (por si só) não é suficiente, por que é necessária? ou melhor, qual a função da formação inicial para os professores? ou ainda, desmembrando esta questão, o que deve ser contemplado nesta formação inicial?
Um olhar um pouco desatento diria: sem dúvida, hoje o importante é aprender a aprender, pois esta competência dará autonomia para o sujeito tomar decisões fundamentadas em sua prática.
Hoje eu já mudaria a resposta: sem dúvida, uma das coisas que o professor deve sempre ter em mente é que nenhum pacote pronto de informações lhe dará subsídios suficientes para enfrentar fundamentadamente todas as situações de sua prática, sendo necessário que o professor seja investigador, reflexivo e que saiba "aprender a aprender" (o que, por si só, não é nada fácil, veja na postagem do Caldeirão de Idéias). Mas mesmo assim, continuamos com o "pacote" da formação inicial e, pelo que eu acredito, esta deveria dar os subsídios para os primeiros passos na prática pedagógica. Mas quais subsídios são estes quando está cada vez mais incerto o terreno onde o professor dará seus passos?
Esta é uma questão que merece maior discussão (assim como muitos tem feito). E você, o que pensa sobre isso?

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Entrevista com Alex Primo: nossos alunos tem um perfil diferente de anos atrás

No Blog de Alex Primo ou no próprio Jornal Zero Hora (que publicou a entrevista ontem, 12/02/09), pode-se ler a entrevista que reproduzo logo abaixo.
Apesar de Primo não ter dito isso, o jornal chegou a conclusão que nossos alunos não tem mas capacidade de concentração para sentar e ouvir.
Me parece que o que é posto em questão, no atual contexto, é o que se espera de uma aula: uma palestra? o despejo de um volume enorme de informação? se fosse isso, aí faria sentido esperar que o aluno ficasse horas sentado e ouvindo.
Mas, como vários autores já nos fizeram entender, o processo de aprendizagem é um processo ativo, sendo que para o qual o aluno deve ser considerado como um sujeito ativo. A aprendizagem, quando significativa, não é um processo passivo.
Me admira que, em tempos onde todos fazem várias coisas ao mesmo tempo, quando os fluxos (de informação, dos negócios, ...) são cada vez em maior volume e mais rápidos, quando dependemos mais do desenvolvimento tecnológico do que dos nossos próprios genes para nossa sobrevivência, quando o livre acesso a informação alavanca a produção descentralizada de produtos informacionais, me admira que um jornal conceituado como este ainda reproduza com espanto a afirmação: "alunos não querem sentar e ouvir"!!!

Neste quadro chegamos nos conteúdos, que refletem a concepção de educação que temos, o que acreditamos como o papel do professor, o que esperamos dos alunos. Mesmo os conteúdos digitais, ditos como "inovadores" nada acrescentam se reproduzirem o mesmo ensino tradicional, apenas conteudista, com o aluno simplesmente "olhando". Que tal tentarmos "vestir o conteúdo" e tentarmos criar condições para que nossos alunos (e nós) aprendam com prazer?
[se vc quiser ver um exemplo desse "vestir o conteúdo" veja a postagem de ontem sobre Darwin]




| 12/02/2009 | 02h37min

“O aluno não quer mais se sentar e ouvir”

Entrevista: Alex Primo, doutor em Informática na Educação

Professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS, Alex Primo sustenta que o mundo digital deu origem a um novo padrão de estudante, acostumado ao uso da tecnologia. Para se adequar a esse perfil, escolas e educadores devem rever suas práticas. Confira trechos da entrevista a ZH:

Zero Hora – Qual principal o impacto das novas tecnologias na vida do estudante?

Alex Primo
– O acesso às informações. Antes, a educação era baseada no livro, e os livros eram prescritos pelos professores como a informação que devia ser estudada, onde estavam as respostas. Hoje, mesmo uma criança tem possibilidade de buscar as soluções na internet.

ZH – O que isso muda?

Primo
– Constrói na criança o espírito da investigação. Não é o professor que entrega uma resposta pré-definida. Ela vai atrás para construir suas respostas.

ZH – É um novo aluno?

Primo
– Sem dúvida. Antigamente, falava-se em ensinar. Hoje, é preciso ter preocupação maior com a educação, como um processo global para a aprendizagem e para a produção ativa. O aluno não quer mais se sentar e ouvir, porque ele está acostumado a produzir por meio das novas tecnologias.

ZH – Isso exige uma adaptação na maneira de dar aula?

Primo
– Demanda-se um maior dinamismo nas aulas e a valorização da expressão multimídia: usar fotos, sons, textos em blogs para os estudante poderem valorizar aquela linguagem que eles conhecem. Se não se fizer isso, fica um hiato muito grande entre linguagem do aluno e do professor.

ZH – Os jovens de hoje têm menor capacidade de concentração?

Primo
– Uma vez escutei que havia professores que ensinavam em blocos de 15 minutos e contavam uma piada, para seguir o ritmo da televisão. Agora, percebemos uma mudança, as pessoas se afastando da TV e indo para o computador, onde a dedicação é total. Ficam horas no computador. A diferença é que hoje se navega em muitas janelas ao mesmo tempo. O jovem conversa, navega, vê vídeos, tudo ao mesmo tempo. Então, é uma concentração fragmentada.

ZH – A internet estimula a cópia de trabalhos?

Primo
– O plágio, a cola da enciclopédia sempre existiu. Eu lembro de fazer isso quando criança, vários alunos copiavam informações das enciclopédias, o professor recebia muitas cópias e nem se dava conta. Não é um problema novo, da internet. O interessante é que o aluno comece a reconhecer a importância da consulta às fontes e de valorizar a autoria, não minimizar a importância da busca de informações e citações.


quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Aprender a aprender

Vale a pena ver a postagem Aprendendo a Aprender com as Tic, de José Carlos, que traz um caso em que professores se deparam com a necessidade de aprender a aprender através das tecnologias de informação e comunicação, explorando também características de professores tradicionais (que ele chama de de Professor Web 0.0) contrastando-as com outras características dos professores que constantemente esforçam-se a aprender a aprender.

terça-feira, janeiro 27, 2009

Para que ensinar Ciências? Qual o papel da Alfabetização Científica? Ciência e Cidadania?

Vivemos em uma sociedade complexa, que se renova a cada dia e, contraditoriamente, algumas escolas continuam reproduzindo uma educação disciplinar, sem efetivas relações entre disciplinas, entre conceitos, tampouco entre as diferentes eferas da sociedade e suas problemáticas. De forma semelhante, a formação de professores também contribui para este quadro: currículos que não se renovam, disciplinas específicas com professores sem formação pedagógica, disciplinas (também específicas, em vez de ser um continuum) pedagógicas sem articulacão com a "formação dura", professores em formação que não são instigados ao diálogo e à formação constante.
Para que ensinamos Ciências e Biologia? para seres que estão acima dos problemas da humanidade? não. Ensinamos estas "disciplinas" nas escolas para que nossos jovens possam atuar crítica e fundamentadamente na sociedade, que possam fazê-la mais coerente e mais justa. Para tanto, precisamos de um ensino que esteja atento para as relações e inovações das ciências e tecnologias, que promova articulações, que considere o aluno como um ser atuante na sociedade, que considere os saberes cotidianos dos alunos para que criar significados aos conhecimentos científicos.

Se não for assim, para que ensinar Ciências?
Este comentário foi provocado pela postagem de Miriam Salles, no blog Informática Educacional e Meio Ambiente, que comenta alguns trechos do livro "Ensino de Ciências e Cidadania", de Myriam Krasilchik e Martha Marandino.


Depois disso Miram seguiu a conversa em um novo post:
Letramento Científico e Ensino de Ciências